De vizinhos a algo maior
Sempre fomos vizinhos. Nossas famílias já se conheciam há muitos anos e, desde que eu tinha cerca de 12 anos e a Dafne 9, a mãe dela, dona Edilene, costumava brincar que um dia eu seria seu genro. Naquela época, aquilo parecia apenas uma daquelas brincadeiras de família que ninguém leva muito a sério.
Enquanto isso, a Dafne sempre foi muito próxima das minhas irmãs. Mesmo tendo idades diferentes, elas cresceram estudando na mesma escola, compartilhando conversas, conselhos e construindo uma amizade que permanece até hoje.
Nós nos conhecíamos havia mais de doze anos, mas nunca tínhamos olhado um para o outro dessa forma. Na verdade, justamente porque nossas famílias faziam tantas brincadeiras, nenhum de nós tinha esse interesse.
A gente ria daquilo sem imaginar nada. Mas Deus ria mais alto, porque Ele já sabia. Estava guardando um para o outro quando nenhum de nós entendia o que procurava — e escolheu a hora certa de abrir os nossos olhos.
Até que o tempo fez o que só ele sabe fazer.
Em dezembro de 2024, durante o fim de ano, começamos a passar mais tempo juntos. As conversas aconteceram naturalmente. Descobrimos gostos parecidos, princípios em comum, sonhos semelhantes e uma forma muito parecida de enxergar a vida, a família e Deus.
Sem perceber, aquela amizade começou a se transformar em algo muito maior.
O início da nossa caminhada
Poucos dias depois do aniversário da Dafne, no dia 23 de março de 2025, preparei uma surpresa. Com a ajuda do meu melhor amigo, Bruno Cargerani, pedi que ela apenas se arrumasse, sem contar qual seria o destino. A única certeza era que seria um lugar especial.
Foi então que fomos até a Roda Rico, em São Paulo.
O que eu não sabia era que ela tinha medo de altura. E o que também não esperávamos era que uma forte chuva mudaria completamente os nossos planos. Mas, olhando para trás, percebemos que Deus estava escrevendo uma história ainda mais bonita do que aquela que havíamos imaginado.
Mesmo com a maquiagem, o cabelo e as unhas recém-feitas, a Dafne simplesmente sorriu, segurou minha mão e correu comigo debaixo da chuva. Sem reclamar. Sem se preocupar com o que havia dado errado. Apenas vivendo aquele momento ao meu lado.
Naquele instante tive a confirmação que havia pedido a Deus. Ali era o momento certo.

A pergunta que mudou tudo
Com o coração acelerado e uma aliança nas mãos, disse a ela algo que representa exatamente o que sinto até hoje. Contei que, mesmo diante da responsabilidade que um relacionamento representa, ao olhar para ela eu não sentia medo, mas alegria, paz e a certeza de estar construindo algo verdadeiro.
Falei sobre sua doçura, sua humildade, sua lealdade, sua alegria contagiante e sobre como ela sempre enxergou muito além das aparências. Ela nunca foi uma pessoa interessada em coisas materiais. Sempre foi uma mulher interessante, honrada, inteligente e cheia de valores. Era exatamente a mulher que eu sempre havia pedido a Deus.
Então fiz a pergunta que mudaria nossas vidas para sempre.
Ela disse “sim”.
Entre lágrimas, abraços e muitos sorrisos, iniciamos oficialmente a nossa caminhada. Naquele mesmo dia, nossos pais oraram por nós e abençoaram o nosso relacionamento — os pais da Dafne, pastores, e os meus, presbíteros. Foi um momento que marcou profundamente o início da nossa história.

O caminho até aqui
Desde então, nossa história também passou a ser construída pela saudade.
Eu moro no Rio Grande do Norte. A Dafne mora em São Paulo.
Durante esse tempo aprendemos que o amor não cresce apenas quando duas pessoas estão perto uma da outra. Ele também cresce na confiança, no respeito, na paciência e na decisão diária de caminhar juntos, mesmo separados por milhares de quilômetros.
Cada reencontro nos lembrava que estávamos construindo algo que valia a pena esperar.

O sonho que começou antes da casa
Mas existe um momento da nossa história que poucas pessoas conhecem. Era uma tarde comum. Estávamos voltando para casa de carro, depois de resolver algumas coisas na Avenida Mateo Bei. Conversávamos sobre a vida, sobre o futuro e sobre tudo o que ainda sonhávamos construir.
Naquele momento não existia apartamento. Não existia um planejamento pronto. Não existia toda a estrutura que imaginávamos para começar essa nova fase. Humanamente, ainda havia muitas dúvidas.
Mas existia uma certeza muito maior do que todas elas: Deus estava conduzindo a nossa história.
Enquanto seguíamos viagem, começamos a conversar sobre casamento. Não foi uma conversa planejada, nem um grande discurso. Foi uma daquelas conversas sinceras que mudam a vida sem que a gente perceba naquele instante. Ali tomamos uma decisão: queríamos construir uma família juntos.
E, antes de pensar em qualquer detalhe, fizemos uma oração. Simples, mas carregada de fé. Dissemos a Deus que estávamos dispostos a dar um passo que, aos nossos olhos, parecia maior do que nós. Era como colocar os pés onde ainda não existia chão. E pedimos que Ele colocasse esse chão debaixo dos nossos pés.
Desde aquele dia, temos visto Deus responder essa oração de maneiras que jamais imaginávamos. Pouco a pouco. No tempo certo. Da forma d’Ele. Cada porta aberta, cada confirmação, cada oportunidade, cada pessoa usada por Deus foi nos lembrando que nunca caminhamos sozinhos.

